sábado, 1 de novembro de 2014

Deveria ser uma coisa sem importância

Eu sei que não me devia deixar afectar por coisas como estas: supostamente sem qualquer importância... A verdade é que para mim estas coisas, por mais pequeninas que sejam, me afectam mais do que eu gostaria.
Não me importo de ser rotulada como mentirosa nesta história, pois eu sei a verdade. E a verdade é precisamente o que eu disse, mas estou numa fase em que não quero saber mais. Só sei que para mim, acabou.
A minha forma de me proteger é afastar-me das pessoas, sei que não deveria ser, não é a forma mais indicada, mas é assim que sou e por vezes, acreditem que é o melhor.
Eu faço tempestades em copos de água, eu sei. Mas também apago fogos com as minhas próprias mãos, se for preciso. Assim sou eu: poderia dizer demasiado sentimental, mas neste momento prefiro, demasiado estúpida.
Preciso esquecer, avançar. Mas é difícil quando há um mistério no ar, um mistério de que fui acusada sem ter culpa nenhuma, um mistério que gostava de desvendar. Volto a dizer que sei que é um assunto com pouca importância (ou pelo menos deveria ser), mas quando nos atacam/acusam sem mesmo antes perguntar... E vindo da pessoa que veio... Mas, como disse, para mim chega.

Tenho de re-aprender a ser a pessoa que fui um dia: calada. Tenho consciência que falo demais sobre mim. E isso é o quanto basta para me conhecerem e saberem onde podem colocar o dedo na ferida. Tenho saudades do tempo em que eu era uma incógnita, em que tentar decifrar o que eu estava a pensar ou sentir era um desafio.

E de repente tantas coisas me passam pela minha mente, fazendo-me lembrar que eu não sou nada, que sou uma M**** ambulante, fazendo-me sentir a cada dia cada vez mais inferior... 

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sábado, 23 de agosto de 2014

Incertezas

E sem querer, sem esperar, uma onda de tristeza invadiu-me o peito.
Porquê, não sei...
Talvez seja a incerteza do meu futuro, no qual agora penso mais do que sempre.
Talvez seja o medo que ele me transmite e a dúvida de quem sou e do que quero.

domingo, 17 de agosto de 2014

Quem sou eu?

De repente, ao olhar o horizonte através da minha janela e ouvindo a algazarra da festa, senti um vazio tão grande no meu peito, senti-me completamente vazia, triste, sem amor...
Isso fez-me pensar que tenho quase 32 anos e não sou ninguém nem tenho nada nesta vida. Na verdade eu nem sequer sei quem sou ou o que eventualmente quero ser. Como é possível? Quando penso no meu futuro vejo tudo negro. Mas eu não quero isso. Eu quero ter uma vida.
Por que me sinto tão estranha em relação a mim mesma? Por que me sinto vazia, sem sonhos, sem objectivos, sem o que quer que seja a que me possa agarrar?
Que tipo de pessoa sou?
E isso me leva a uma outra pergunta:
O que faço eu aqui?

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Porque a vida é assim

Sonhos vem, sonhos vão, o resto é imperfeito… Ah, a vida! Planos, sonhos, inquietações. Expectativas que se fazem e se desfazem a cada momento, a cada sinal de que o mundo não deixa de dar voltas, a cada sinal de que o tempo não para, e que as circunstâncias estão a mudar o tempo todo. Muda a minha roupa, muda o meu coração, muda o meu rosto, muda a minha forma de ver. Vida. Tão somente um mar de inconstância. Entender é muito vasto. Talvez as estações tragam alguma resposta. Por enquanto, só não quero ter a sensação de estar a fazer da minha vida um movimento sem sentido.

domingo, 25 de maio de 2014

Ondas...

Mergulho as mãos no mar, como se quisesse aprisioná-lo entre os meus dedos, como se desejasse fazer dele o teu corpo, moldá-lo, senti-lo como se fosses tu. Escrevo sobre a areia molhada, as palavras que te não disse. As ondas quebram as frases, apagam os desejos e arrefecem o corpo, molhado, arrastando para o fundo do oceano as esperanças escritas.
Quando a alma se abre, como uma vela de um barco à deriva, recolhe em si todas as brisas, todos os ventos, enchendo-se, mas, a cada tempestade o pano cede às forças da natureza rasgando-se em pedaços, perde-se o rumo e o navio perde-se na solidão do vazio. A noite, traz com elas as estrelas e o silêncio que me permitem adormecer embalada pela suavidade das ondas.

sábado, 10 de maio de 2014

Mudança de visual e outras coisas que tal

Hoje, cansada de ver sempre o mesmo visual, decidi mudar a imagem... ao blog!

Tomei uma decisão muito importante para mim, é um novo passo que vou dar. Peço desculpa por não vos contar qual é, mas preciso deixar acontecer e logo se vê... Se eventualmente for para a frente, aguardem, pois muitas novidades teremos!

Estamos em Maio e já não falta muito para terminarem as aulas de Alemão, pelo contrário... Isso deixa-me triste, porque estou mesmo a gostar. Têm havido alguns mal-entendidos, dos quais me tento sempre manter afastada, mas aos quais fazem questão de acrescentar o meu nome... Enfim... 

O estágio para a Ordem dos Nutricionistas, está a correr bem, embora não esteja a ser aquilo que eu tinha imaginado... Mas não me posso queixar. Gosto de lá estar, as pessoas acolheram-me muito bem, tenho feito imensas actividades... Tudo é positivo!
Só há mesmo um senão... É estágio voluntário... De outra forma não consegui arranjar estágio ou um emprego (porque os primeiros 6 meses do trabalho - ou mais em caso de não suprir o número de horas neste espaço de tempo - seriam contabilizados como estágio profissional para a ON)... E isso deixa-me triste e apreensiva...
Apreensiva porque penso "será que vou conseguir emprego na minha área quando terminar o estágio?"
Triste porque quero voltar a ter a minha independência financeira como já tive antes de ir para a faculdade...
Preciso de um emprego. Quero trabalhar.

No dia 23 de Abril, uma quarta-feira, bateram no meu carro. O meu carro estava estacionado perto de minha casa e eu estava na aula de Alemão. Um amigo meu telefonou-me a dizer que me tinham batido, que tinha tirado fotos, que apanhara a matrícula, e a contar-me pormenorizadamente como se sucedeu o acidente... Na quinta-feira consegui falar com a dona do carro que negou ter sido ela. Falei com o meu mediador de seguros e o caso avançou para a seguradora da dona do outro carro, um Audi A6... Para já o caso tem andado encaminhado. Já fui fazer a peritagem ao meu carro e agora é só esperar pela resposta.

Estou com imensas saudades dos meus dois pequenos grandes amores... Quando penso neles, parece que o meu coração vai rebentar de tanto amor e saudades que sinto deles...

Tenho aproveitado bem o ano no que diz respeito a leituras... Muitos dos meus minutos livres são dedicados aos livros ou ao tablet (e-book)... Participei pela primeira vez numa Maratona Literária, no final de Abril. Correu bem! Gostei! Também fiz uma TAG (estante arco-íris), foi uma experiência divertida! Queria fazer toda ela em vídeo, mas a coisa não estava a correr muito bem, então decidi ficar-me pela escrita com direito a duas fotografias, como podem ver em http://paginassonhos.blogspot.pt/2014/04/tag-estante-arco-iris.html

Bem, e por hoje fico por aqui. Prometo que vou tentar não me descuidar tanto em relação às actualizações... Mas isto do face acaba por fazer um pouco a vez daqui... Eh, não. Não posso. Esta é a minha marca. Este é o meu registo!

domingo, 13 de abril de 2014

Doente...

Não sei bem o que tenho, tudo indica uma intoxicação alimentar derivada não sei de quê... Agora é só esperar que passe... 
Hoje estou num daqueles dias que me apetece escrever, mas não estou inspirada para tal...
Lembrei-me de ir ver quando foi o primeiro dia do blog... Já lá vai à 7 anos e 4 meses... 
Achei engraçado ver que no dia do primeiro blog a Li fazia 20 aninhos e lhe desejei os parabéns... a coincidência vem no sentido em que o último post publicado (antes deste) é dedicado a ela! ...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Felicidades, Li!

Dirigido especialmente à Li, que amanhã começará uma nova etapa da sua vida: o casamento...

Há pessoas que não se esquecem… E os motivos para isso são os mais variados possíveis… Há pessoas que apesar de já não fazerem parte da minha vida, fizeram-no e fizeram de uma forma tão única, tão especial, tão intensa que jamais esquecerei. E quando digo jamais, é realmente jamais! É por isto que mesmo longe apenas desejo o melhor a essas pessoas, porque é isso que elas merecem! Fico feliz por saber que estão e são felizes, como fico triste quando delas tenho uma notícia menos alegre… Há momentos que com essas pessoas não compartilhei, não por não querer na maioria das vezes, mas por incompatibilidades (tempo, lugares…), mas isso não significa que tenha sentido menos a dor que estavam a sentir… Considero-me uma sortuda ao olhar para as pessoas que fizeram parte da minha vida, ao olhar para as situações que vivemos, para os momentos, sorrisos e palavras que partilhamos! Muitas recordações… É bom! É sinal que a amizade existia e eu fico feliz por isso! Porque nada do que se viveu foi uma mentira… É por tudo isto e muito mais que aqui estou para te desejar as maiores felicidades do mundo, torcendo para que o dia de amanhã seja tão mágico como se espera que seja, tão especial, tão único quanto tu mereces! Estarás rodeada de muitos amigos e familiares que te adoram e isso é o que mais importa nesta vida! Enche-me de emoção o dia de amanhã! Fico comovida de pensar! Estarei feliz e festejando também, dentro do meu coração! Que Deus e o seu amor estejam sempre presentes não só no dia de amanhã como no resto da tua vida… Um beijo enorme, com saudades, sim, mas acompanhado de um sorriso repleto de felicidade!

quinta-feira, 27 de março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Sobremesa para o fim de semana: Crumble

O crumble é uma receita muito prática e versátil: ele é preparado em alguns minutos e há versões doces e salgadas para todos os gostos. O crumble nada mais é do que uma camada de recheio – que podiam ser frutas nas versões doces ou legumes nas versões salgadas, cobertas por uma pequena quantidade de uma massa simples, feita apenas com uma pequena quantidade de farinha, manteiga e açúcar. A preparação é então levada ao forno até que a massa fique dourada e crocante.

Crumble de pera, chocolate e pimenta
(Ingredientes para 2 pessoas)

Massa:
40g de manteiga (tirar do frigorífico um pouco antes para ficar com consistência “pomada”)
40g de açúcar
40g de farinha de trigo

Recheio:
1 pêra cortada em fatias
80g de chocolate (preferencialmente chocolate amargo)
2 colheres de sopa de natas frescas

1 pitada de piment d’Espelette (pimenta)


Preparação:
1- Pré-aquecer o forno a 180°C.
2- Ralar grosseiramente o chocolate (pode usar a faca).
3- Nos potinhos individuais ou num refractário, colocar uma camada de pêra, seguida de chocolate ralado, natas e pimenta. Dependendo do tamanho do recipiente, faça apenas uma ou mais camadas. Ah, cuidado com a pimenta, tá?!
4- Prepare a massa: misture a manteiga, a farinha e o açúcar em uma tigela e vá amassando com os dedos, até ficar uniforme. É uma massa seca, fica meio quebradiça mesmo.   Coloque a massa sobre o recheio.
Leve ao forno até dourar – por volta de 40 minutos.
Deixe arrefecer um pouquinho antes de servir.

Outras variações doces que pode experimentar: maçã, banana, manga e abacaxi, frutos vermelhos, banana e chocolate. Dá também para acrescentar um pouco de canela ou amêndoas em lascas no recheio ou na massa, e servir acompanhado com uma bola de gelado. 

Macarons


Ingredientes (para mais ou menos 30 macarons):

130g de clara de ovo (mais ou menos 4 ovos)
90g de açúcar refinado
150g farinha de amêndoas (amêndoas trituradas - em pó)
210g de açúcar de confeiteiro
1 pitada de corante em pó (opcional)

Dica n° 1: Providencie uma balança. Eletrónica, de preferência.

Dica n° 2: Separe a clara e a gema dos ovos alguns dias (pelo menos dois, e até uma semana) antes de fazer os macarons, guarde as claras em um tupperware fechado no frigorífico.  Este tempo de repouso faz com que a albumina do ovo perca a elasticidade,  o que facilita para batê-las em neve e evita que a massa empelote. Tirar as claras do frigorífico uma hora antes da utilização. (Risco de salmonela? Não, porque o problema é a gema)

Dica n° 3: Utilize sempre corante em pó, o corante líquido dá humidade à massa, o que não é bom para conseguir que a casquinha fique crocante.

Modo de Preparo:

1) Misture a farinha de amêndoas e o açúcar de confeiteiro, com um liquidificador ou mixer. O objectivo é obter um pó bem fino. Passe a mistura em uma peneira. Reserve.


2) Noutro recipiente, coloque as claras de ovo e o açúcar refinado, bata as claras em neve. Enquanto estiver batendo, se desejar acrescente uma pitada de corante em pó (se não os macarons vão ficar cor creme). Três maneiras para saber que a mistura está no ponto:
a) um bico se forma no batedor

b) a espátula fica de pé no meio da massa

c) você vira o recipiente de ponta-cabeça e tudo fica no lugar! :-)


3) Acrescente metade da mistura farinha de amêndoas + açúcar de confeiteiro. 
Agora vem um dos pontos-chave: misturar de maneira bem delicada. Podem utilizar a seguinte técnica: com uma espátula, saia do centro da massa, em direcção ao exterior do recipiente, apoiando a espátula no fundo e levantando a massa ao mesmo tempo. Com a mão esquerda, ao mesmo tempo, vá girando a tigela, um quarto de volta (90° para os engenheiros) por vez. 
Está difícil de entender? Apelemos aos amigos da internet:
http://www.dailymotion.com/video/xe7se9_le-macaronnage-en-video_lifestyle


Vá misturando e quando a primeira metade da mistura em pó já estiver misturada, acrescente a segunda metade e continue.

Mas o ponto-chave mesmo é saber a hora de parar de misturar. Dica: pegue uma grande quantidade de massa com a espátula e levante. A primeira “leva” tem que cair de maneira fluída. Se demorar muito para cair, a massa ainda não está fluída o suficiente. Se você parar de misturar neste momento, os seus macarons vão ficar muito estufadinhos e com textura de suspiro. Já se a massa estiver líquida demais, já era, o ponto passou e seus macarons vão ficar parecendo biscoitos.  A massa tem que estar uniforme e fluída, mas nem tanto, e assim os seus macarons vão  ficar estufadinhos mas nem tanto, e com textura entre o suspiro e o biscoito. Complicadinho?! :-) Se errar da primeira vez, não desanime!
Este momento da receita do macaron é tão importante que os franceses até inventaram um nome para o processo: macaronnage.

4) Quando a massa estiver no ponto, coloque metade em um saco de confeiteiro, com um bico liso. Cubra uma forma plana com papel manteiga. Esprema o saco formando no papel manteiga bolinhas de mais ou menos 2cm de diâmetro – os seus macarons.

 

Dica n° 4: utilize um pouquinho de massa como “cola” entre o papel manteiga e a forma, nas pontas, para ele não se deslocar.

Dica n° 5: arranje um “tapete” de silicone com as bolinhas já desenhadas. Dupla utilidade: o silicone não gruda, e as bolinhas ajudam muito para fazer macarons do mesmo tamanho. (você pode desenhar os círculos a lápis numa folha de papel, colocar a folha sob o papel manteiga na hora de fazer as bolinhas, e retirá-la antes de levar ao forno)


Dica n° 6: o ideal é fazer os macarons não de forma totalmente alinhada (vejam o tapete de silicone), para o calor do forno circular melhor.


5) Deixe os macarons repousarem fora do forno, de 15 a 30 minutos. Para saber quando levá-los ao forno, encoste levemente o  dedo na superfície de um macaron – a massa não pode colar no dedo.

6) Leve os macarons em forno pré-aquecido, entre 130°C e 150°C. A temperatura pode variar segundo os fornos, então, mais um ponto que tem que ser testado. O tempo de forno também varia, a “regra” é 12 minutos, abrindo o forno no meio para deixar sair a humidade. Se você estiver assando várias formas, mude as posições no forno a cada 3 minutos. O macaron está assado quando a parte de cima estiver durinha e brilhante, e a parte debaixo com aquele “colarzinho” típico.

Dica n°7: se o seu macaron não está com cara de macaron...

 - macaron muito estufado: “macarronage” insuficiente, da próxima vez misture mais a massa
 - macaron achatado, sem o colarzinho: “macarronage” demais, da próxima vez misture menos a massa
 - macaron com pelotinhas: mistura açúcar de confeiteiro + farinha de amêndoa muito grossa ou úmida
 - macaron com fissuras: repouso insuficiente antes de ir ao forno ou temperatura do forno muito alta
 - macaron “explodiu”: mistura não uniforme ou temperatura do forno muito alta
 - macaron muito seco: muito tempo de forno ou temperatura muito alta
 - macaron muito molenga: pouco tempo de forno ou temperatura muito baixa

7) Tire do forno e deixe arrefecer. Descole os macarons do papel manteiga. Separe os “pares” de macarons segundo o tamanho. Pegue um macaron, coloque o recheio (com um saco de confeiteiro ou com uma colherzinha mesmo), una o segundo macaron. Coloque numa bandeja e deixe repousar pelo menos 24 horas no frigorífico.


Dica n° 8: os macarons são melhores no dia seguinte. O tempo de repouso no frigorífico permite que o recheio impregne a casquinha, e dê o gosto e a textura ao macaron.

Ideias de recheio:
- Ganache de chocolate
- Ganache de chocolate branco + cachaça + raspas de limão (para o “macaron caipirinha”, que, acreditem, eu aprendi na aula!)
- Geléias de frutas -  suco + gelatina sem sabor – a textura tem que ser mais dura que uma geléia (para não escorrer) mas menos dura que uma gelatina
- Ganache de chocolate branco + frutas (o chocolate branco é uma boa “base” para recheios de frutas)
- Creme de bauniha

sábado, 1 de março de 2014

Simplesmente eu...


Definir-me...
Meras palavras que se conjugam para formar uma identidade, a identidade do meu eu!
Serei um ser coberto de virtudes e envolvido por uma cortina de "vícios" que escondem o melhor de mim? Acredito que sim, já que cada um de nós possui imensuráveis falhas, mas também imensuráveis virtudes, que podem ser apreciadas por quem nos dê o devido valor! Porém, nunca poderei esquecer, o primeiro a dar esse passo, não serás tu, mas eu própria!
Porque "o mundo" cisma em perguntar: o que planeias ser futuramente? Até eu já questionei, qual será o meu rumo do amanhã? Sinceramente, não sei! Mas há uma coisa que tenho a certeza: quero ser feliz, mas ser feliz é fazer de cada minuto, um momento especial! Não quero ser mais uma que vive para o amanhã e que estará permanentemente distante dos seus sonhos, dos seus projectos....
Suponho que para me compreender não será uma questão de inteligência, mas sim de sentir….

Um abraço bem apertado...

 E assim tão de repente lembrei-me dum abraço que recebi dia 3 de Fevereiro de 2008... Um dos melhores abraços do mundo, num dos piores dias da minha vida... Aproveito para agradecer o conforto de todos os meus amigos e familiares nesse fim de semana e em tantos outros dias que se seguiram... Mas aquele abraço jamais esquecerei...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Solidão da alma

Talvez não haja no universo sentimento mais profundo do que este: solidão interior. Aquela solidão da alma. A constatação fria e inegável de que, não importa o quanto eu esteja cercada de coisas e pessoas, ou o quanto outras criaturas tenham contribuído com a minha caminhada, na minha consciência estou sempre só, comigo mesma. Enfim, sós... Eis que, em algum momento da minha existência, a minha consciência força-me à transformação, à total, profunda e sincera revisão de tudo em que vinha a acreditar. Ela faz-me olhar novamente para tudo o que fiz, construí e aprendi e, de forma implacável, coloca-me frente a frente com tudo que sou, de verdade, e nem sequer imaginava.

Não há fuga possível, não há como ou onde me esconder. É como se todas as máscaras caíssem ao mesmo tempo e eu fosse obrigada a olhar num espelho vivo e límpido, onde estão reflectidas todas as minhas verdadeiras emoções, ideias, necessidades e tropeços. Os meus medos e as minhas carências.

E, ao deparar-me com tanto da minha verdadeira essência que eu desconhecia e ignorava, é como se algo se rompesse dentro de mim e criasse um imenso vazio, que me engole e me deixa sem chão e sem tecto, flutuando, em completa suspensão. É como se eu vagueasse dentro do meu próprio vazio interior. As referências momentaneamente confundem-se, como se, o tempo todo, eu estivesse seguindo um mapa falso, para um tesouro que idealizei, mas nunca existiu.

As crenças parecem diluir-se, como se não passassem de bonecos de açúcar, que criei apenas para me adoçar a existência, enquanto estava demasiado ocupada a sonhar acordada. As certezas transformam-se em dúvidas, como se tudo o que eu sabia não passasse de um enredo destinado apenas a justificar a mim mesma. O que fazia sentido fica pálido e borrado, como se o meu universo fosse apenas o produto de uma imaginação muito fértil, ou a lembrança de um sonho muito vívido, ou uma alucinação. E tudo o que tenho é apenas a mim mesma, em toda a minha realidade nua e crua. Nem mais, nem menos. Sou eu que me dispo para mim mesma, como antes nunca tinha feito...

E, então, vem a dor... A dor de perceber que, talvez, essa solidão seja apenas o reflexo de uma escolha, uma postura, uma crença equivocada. A dor de saber que quem se afastou fui eu mesma, num movimento de defesa infantil e inconsciente, numa fuga assustada por medo de sofrer, ou de perder, ou de ser esquecida. A dor de me dar conta de que, o tempo todo fugi apenas de mim mesma e que os outros apenas respeitaram a minha fuga, deixando-me fugir. E a dor, às vezes, é tanta e tão grande, que faltam forças para sair do lugar, falta energia para fazê-la parar ou mesmo para olhar para ela. Ela dói no corpo e na alma, dói por dentro e por fora, dói pesado e profundo.

Não pretendo anestesiá-la, não pretendo também ignorá-la. Não desta vez. Quero experimentá-la até à última gota, se possível, se eu suportar. Quero abraçá-la para que ela se transforme em luz, a luz que ainda não tive coragem de buscar para me orientar nos meus caminhos. Não quero apenas passar por ela, mas passar com ela, caminhar com ela, compartilhar os seus segredos, conhecer a sua história. A minha história. No entanto, eu e ela estamos no mundo. E, estando no mundo, caminhamos com outras pessoas. Pessoas que estão em outros momentos, pessoas que têm outras necessidades, pessoas que só conseguem ver em mim o que já conhecem, sem conseguir, nem de leve, suspeitar do que também sou, e elas não conhecem e não conseguem perceber e compreender. E nem mesmo eu conheço bem...

E não há como explicar. Não há como colocar em palavras essa solidão que dói no meio de tanta gente, essa solidão plena que me faz sentir única como nunca me senti, essa solidão que me afasta de tudo e de todos e, ao mesmo tempo, quer desesperadamente estar no meio de outros que possam, ao menos, acolhê-la, exactamente como ela é. Não há como decifrar, não há como abrir o peito e mostrar o que está a acontecer bem ali dentro, onde a dor decidiu se instalar. Não há como mostrar o coração que dói, ao lado daquele que bate, pois só eu o sinto. Só eu sinto o que ele sente. E, na nossa dor, somos cúmplices um do outro, nessa solidão que é triste, mas não é tristeza. Essa solidão que assusta, mas não é medo. Essa solidão que magoa, mas não deixa ferida. Uma solidão que é mais que estar sozinha, pois é solidão da alma.