sábado, 26 de janeiro de 2008

Exames

Isto está a ser um desastre... Os exames não me correram nada bem... Os únicos dois que me correram bem ainda não saiu a nota... Mas que bem...
Estou na Trofa... Vim cá passar o fim de semana e aproveitei para vir até aqui dizer olá :)
Na terça começa a segunda fase de exames... Espero que corram melhor... Nem é pelo correr melhor... Mas que as notas sejam no mínimo positivas...
Enfim...
Ah, aproveito para vos convidar a estarem presentes dia 1 de Fevereiro 2008, pelas 21h, na Capela Nossa Senhora das Dores, pois serão os Jovens Sem Fronteiras a animar o momento de Adoração ao Santíssimo que estará exposto (tal como tem vindo a acontecer todas as sextas...)
Fora isto penso que não hajam novidades...
Excepto algumas menos boas das quais não vou falar pois é dar importância a mais...
Apenas exprimo publicamente o meu desejo de que ele cresça e se faça homenzinho, pois já tem idade para isso... Infelizmente, apesar disso, não consigo deixar de me sentir triste com as tuas atitudes, com o teu comportamento... Não era bem assim que eu te julgava... Conhecia-te de uma outra forma... De uma forma que me deixava encantada... Destruiste tudo, ou quase tudo... Restou pena e talvez com isso a descoberta de algo que preferia não ter descoberto...
Mas a vida é mesmo assim... Por isso... Sê feliz com a vida que gostas de ter... Pelo menos até um dia...
Bem... Tenho de voltar ao meu estudo... Pois mesmo longe da faculdade, ela não está longe de mim :p

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Quase, quase

Bem... Última aula do semestre (aula extra de Anatomo-Fisiologia I)...
Segunda começam os exames...
Hoje há reunião extra dos jsf da Trofa... E eu não poderei estar presente...
Cá está sol, mas está vento frio... Contrariamente ao resto da semana que até esteve um bom tempo... (Pelo menos não estava frio)
Hum... :( ... A minha impressora avariou ontem... Que cenas... :(
E já estou a ver a professora... Vou para a aula... Por isso... Fiquem bem...

sábado, 5 de janeiro de 2008

Maratona final

Amanhã já vou de novo para Bragança... Vou no autocarro das 13,30h. Assim também chego mais cedo lá (quero eu dizer de dia - ou não)...
E assim começa a maratona final do 1º semestre... Os exames... A ver vamos como correm...
A região minho convidou todos os jsf activos e inactivos para a abertura solene dos 25 anos. Tal solenidade realizar-se-á no Fraião, pelas 21h, hoje...
Após este encontro, tão cedo não sei quando poderei voltar a participar.... :(
Pois não sei quando voltarei à Trofa (por causa dos exames...)
Depois vou dando notícias... Sempre que tal me seja possível...
Ah... Outros apartes menos felizes...
Ontem fui de urgência para o dentista... Partiu-me um dente... dente esse que estava já tão farto de dar problemas... Resolvi tirar... Pela primeira vez na vida (os dentes de ciso não contam), tirei um dente... Não é algo de que me orgulhe... Mas pronto...
Também ontem marquei uma consulta de última hora para Oftalmologia, no Hospital da Trofa... Mas também só marquei porque ainda haviam duas vagas... Durante a semana a minha mãe vai ao oculista e encomenda as lentes... O Dr diz que as lentes dos óculos para já podem continuar estas (já é sempre algum que se poupa)...
Entretanto vou ver se vou à loja da vodafone para passar o meu número optimus para rede vodafone... Por isso já sabem...
E agora sim... Até outro dia...

O Universo e o Homem

Tudo no universo vem da mesma fonte. Esta fonte, que chamamos de vida, contêm o nosso passado, o presente, e o futuro. Na medida que o homem caminha adiante, ele pode desintegrar ou harmonizar a energia vital. O mal nasce no momento em que passamos a acreditar que é apenas nosso aquilo que pertence a todos; isso provoca soberba, desejos inúteis, e raiva. Mas aquele que não é possuído pelas coisas, termina sendo dono de tudo.
(Paulo Coelho)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Mentiras


A mentira não é mais aceita do que a verdade. A realidade é que a mentira é mais usada do que a verdade! A questão, então, seria: por que temos tanto medo ou vergonha da verdade??? Enfim, antes de falar da verdade, falemos da mentira. A mentira nunca é aceita, ou dificilmente é, porque aceitar a mentira é transformá-la em verdade. Em outras palavras, é mentir também, pra si mesmo. As pessoas raramente fazem isso, não aceitam não, mas embora a mentira as revolte, as indigne, as pessoas não defendem a verdade, preferem acomodar-se, ficam resmungando ou reclamando baixinho, mas deixam a mentira tomar conta. O facto é que as pessoas conhecem a verdade, mas nada fazem por ela, deixam a mentira vencer por preguiça, ou insegurança. Por que usam mais a mentira do que a verdade, por que então evitam tanto a verdade??? Porque a verdade não é aceita socialmente, e porque ser aceito socialmente é ter vantagens na vida, no trabalho, no amor. Por isso, evitam dizer que não são um sucesso, por isso enganam os outros, para agradar e também para se beneficiar, com más intenções. Em geral as mulheres dizem que buscam sinceridade, mas na verdade elas não se atraem pela verdade. Os homens prometem sinceridade, mas eles temem revelar a verdade e sofrerem uma derrota. A maioria dos relacionamentos "saudáveis" acaba se constituindo assim, e mais tarde, quando não é mais possível esconder a verdade, o sofrimento é enorme. As pessoas gostam muito de mentir, mas se esquecem que gostar de mentir é o mesmo que gostar de ficar triste, porque como eu disse, a mentira NUNCA é aceita por quem quer que seja. Aliás, geralmente, nem o próprio mentiroso a aceita, razão pela qual toda mentira costuma ser meio-mentira, ou seja, toda mentira tem um fundo de verdade, que é o alívio para a consciência do mentiroso de que, pelo menos, ele não está assim tão errado. Infelizmente, pequena ou grande, a mentira sempre mata um pouco da gente, porque viver plenamente é viver a verdade.

2008


E assim entramos no novo ano...

Desejo a todos um excelente anos, com os seus altos e baixos habituais, mas que sirvam de aprendizagem e com isso sejam felizes :)

Bem... Feliz ano de 2008 é apenas o que posso desejar...

domingo, 23 de dezembro de 2007

A Fantasia (tem Brilhos Como As Estrelas) - Mafalda Veiga

Vais pela rua
E finges que navegas
Desancorado até à alma
Percorres os mares do mundo
Hoje és um rei
E finges que te entregas
Ao vento e à tempestade
Como se fosses um vagabundo
À aventura, sente
A maresia e a madrugada
Corre, deixa te levar
Pelo vento quente
Que se cola ao teu corpo
E te embala sempre
Até quereres voltar
A fantasia
Tem brilhos como as estrelas
É morna e doce e apetece
Soltá-la a voar no mundo
Hoje és um rei
Na tua caravela
A navegar
Num sôpro de magia

Solta - Pedro Khima

Solta,
Pega fogo por dentro,
Espalha o medo,
Mas solta…
Faz de mim o inferno,
Solto eterno,
Mas solta o que há em mim.
Traz contigo ar,
Traz o vento que eu não sinto,
E preciso de respirar.
Traz contigo azul,
Traz contigo mar que eu não minto,
E preciso de me inventar.
Queres que faça a luz voltar,
Queres que traga o sol,
Mas não dá, não, não dá.
Queres que deixe o céu entrar,
Que deixe um salto me elevar,
Traz um pouco de ar contigo
E solta o que há em mim.
Traz contigo água,
Traz a chuva que eu já não sinto,
E preciso de me entregar.
Traz contigo cor,
Traz esse calor que eu não minto,
E preciso de te alcançar.

Saltar até morrer - Pedro Khima

Saltar até morrer,
Eu quero ver-te saltar até morrer,
Sempre à tua maneira,
E acordar sem nada a temer.
Até que as teias de luz Te façam sair deste lugar.
E mesmo que sem voltar
Te possa sentir num outro lugar.
E quando a tua cor Me transformar em dor
Escondo-me em sono,
Para que mesmo de olhos fechados
Eu te possa ver.
Sem medo de transpirar,
Sem culpa para arrastar deste lugar…
Até que te faças ir,
Que te faças ouvir,
Para nunca lembrar.
E quando mesmo quase lá no alto,
Nesse salto-viagem,
Conseguires ver com olhos
De quem pintou o céu de azul,
És mar, és chama, és filtro sem senão, solta de razão,
És sede de quebrar, és nada e tudo o mais.
És parte de mim.
És parte de mim.
És mais do que isso,
És parte de mim.

Refúgio - Pedro Khima

Por mais que quisesse ser
Uma eterna canção,
Um perfeito poema...
Um sopro no teu ouvido,
Um suspiro sem dono
Solto à tua espera...
Sei que no dia em que te encontrar
Serei apenas outra vez,
Aquele que um dia não acordou,
Aquele que se deixou ficar.
Sem ponta por onde arder,
De uma chama vazia,
Faço fogo para sempre...
Sem prova do teu calor,
Sem poder respirar-te
A todo o momento...
Sei que no dia em que te encontrar,
Serei apenas outra vez,
Aquele que um dia não acordou e agora quer voltar.
Só mais uma,
Só mais uma,
Dá-me a noite
Só mais uma vez
Só mais uma,
Só mais uma,
Dá-me a noite,
Só mais uma.
Por mais que quisesse ser
Um minuto da noite,
Um segundo do dia.
Um lábio no teu sorriso,
Criador do teu reino,
Preso na tua ilha.
Sei que no dia em que te encontrar,
Serei apenas outra vez,
Aquele que um dia não acordou e agora quer voltar.
Só mais uma,
Só mais uma,
Dá-me a noite
Só mais uma vez
Só mais uma,
Só mais uma,
Dá-me a noite,
Só mais uma vez.
Se um dia foste aroma de sereia,
E foste o mundo que é só meu,
Foste a chuva que me embalou...
Agora que acordei, agora és muito mais...
Se um dia foste fonte de magia,
E foste um dia o meu lugar,
Agora que acordei, irei dormir jamais...
Só mais uma,
Só mais uma,
Dá-me a noite
Só mais uma vez
Só mais uma,
Só mais uma,
Dá-me a noite,
Só mais uma vez

O pincel - Pedro Khima

Desta vez foi de vez,
Quem queria ser foi-se embora,
E agora sou eu
Sempre fiz, sempre fui
Tudo aquilo que não consigo
Contigo, e
Por não mais entender,
Cedi a tudo num só dia,
Sentia por fim.
Mas irei ceder uma vez mais,
Por saber que não sou capaz,
Quando um dia puder... por um dia.
Se apenas fora ninguém,
Bem melhor do que alguém como eu,
Bem sei... Se fora ninguém,
Bem melhor do que alguém como eu...
(melhor do que eu)
Sei que mesmo assim não sei.
Entreguei meu pincel,
Com a certeza de uma novaHistória,
Que pintei, desenhei,
Para que pudesse ser um dia
Melhor do que alguém…
Desta vez, foi de vez,
Agora sei porque não presto,
Despeço-me aqui.

O gesto que é meu - Pedro Khima

Fizeste um gesto que alguém foi copiar,
Um gesto que era apenas meu para dar.
E num instante foste longe no teu jeito de vaguear,
Sem sequer reparar.
De todos, este eu sei de cor, o gesto que é meu.
Pegaste um livro e num momento vulgar,
Tocaste o espaço, fintaste o paranormal.
Subiste o mundo sem olhar para trás,
Num caminho espacial, num gesto em ti banal.
De todos, este eu sei de cor, o gesto que é meu.
Sobra incerto um gesto, que cega e faz tremer,
Num inferno de feroz calor,
Que queima o amanhecer.
Sobre um beijo desfeito entregas sem saber,
O gesto que é meu.
Em tela de água fez-se o tempo parar,
Um tempo que era escasso para pintar.
Em luz dormente um novo enlouquecer,
À luz do teu poder, um gesto a adormecer.
De todos, este eu sei de cor, o gesto que é meu.

Lugar - Pedro Khima

Tenho um meu lugar,
Que guardo só para mim,
Em segredo onde o tempo não tem fim…
E sei onde encontrar,
Se o certo é me perder,
Num instante esse mundo tão meu…
Sei eu, sei eu…
Sei eu, sei eu,
De um mundo só meu…
Só meu, só meu…
Só meu, só meu…
Que há dentro de ti…
Dentro de ti…
E afasto sem quebrar,
Por todo o meu jardim,
Ramos soltos que me querem ver cair…
E sei onde esperar,
Se o certo é me encontrar,
Bem distante nesse o mundo tão meu…

Eu sou assim - Pedro Khima

Eu sou assim,
Sempre que ao pé de ti…
Sou mais que um só,
E cada vez mais só.
Guardo em mim
Este pouco de ti.
Para lá eu quero ir.
Para lá eu quero ir bem devagar,
Bem devagar.
Por bem longe para não mais chegar.
Sou água, terra, sou fogo e ar,
Sou sol e chuva, sou hoje e sou nada.
Mais que um só e cada vez mais só.
Sou noite, dia, sou céu e mar,
Sou morte, vida, sou hoje e sou nada.
Mais que um só e cada vez mais só.
Eu sou assim,
Mais do que um só em ti.
Sou ar de quem,
Ar de quem não sei.
Mas levo em mim
Este tanto de ti.
Eu sou assim ao pé de ti.

Esse sabor - Pedro Khima

Diz-me de onde vens
Escreve que eu não vejo
Fica tarde
Guarda-me um lugar
Nesse espaço teu
Que uma vez provei e gostei
Sento-me aqui
Diz-me que me encontras
Prendo-me aqui
Em tons de negro
Em tons do teu olhar
Que uma vez provei e gostei
E hoje o fio que nos une
É mais do que corrente
É mais do que navalha
Ferida e mastigada
É mais do que um cordel
É vendido, mais que isso, não te prende
Foi-se a sobra de sentido que uma vez provei e gostei

Esfera - Pedro Khima

Por sinal, essa esfera que me tentava sem me olhar,
Nada mais era do que um som
Que me levava a tentar fugir de ti...
sair de ti...
Uma vez mais, sem saber porquê,
Desistira de dizer:
Nao dá mais, quero mais...
Se não for assim,
Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais!
Mais, mais...
Quero mais...
Mais, mais...
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais...
Só assim dá para mim conseguir que não doa mais,
Que me deixes ir,
Que me libertes de ti,
Que não me faças sentir,
E eu não quero cair, não me posso entregar
Sem que percebas que não podes julgar,
E eu quero tentar, poder acreditar
Que o aperto cá dentro
Um dia vai acabar,
O monstro em mim não irá sucumbir,
Não desfalece por não conseguir
Que olhes p'ra mim, que me facas existir,
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais, mais...
Quero mais...
Mais, mais...
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais
Mais, mais...
Quero mais...
Mais, mais...
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais

De alma morta - Pedro Khima

Se um outro que não este rosto me vingar,
Se em algo mais a nova rota falhar.
Ver para além de mim,
Sem me livrar de mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Quanto eu perdi.
Se por rasteira do silêncio me engoliu,
Se por acasos do mistério sorriu.
Ter o ciúme em mim,
Ter o ladrar em mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Como eu caí,
E o mundo pedi em voz de quem perdeu.
Sobe e rasga o sonho,
Diz-me que tudo é mentira,
É fantasia,
Uma sombra para não mais lembrar,
Vá se lá saber.
Se de alma morta de inveja se vingou,
Se de arma sóbria de sentido matou.
Sem duvidar de mim,
Sem respirar por mim.
Se uma mentira fosse um prazer carnal,
Como eu caí,
E o mundo pedi em voz de quem perdeu.

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca

O guardador de rebanhos - Alberto Caeiro

I

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr do Sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
É se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do Sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
II

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca